sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

ALIANÇA PELO BRASIL LANÇA AÇÃO EM DEFESA DA PETROBRAS

Representantes de entidades como o Ministério Público do RJ, OAB, da política e do ensino acadêmico denunciam movimento de fragilização da estatal para desnacionalizá-la



A Aliança pelo Brasil, em defesa da soberania nacional, formada por representantes de diferentes entidades como o Ministério Público do RJ, OAB, da política e do ensino acadêmico, teve sua primeira ação pública no final da tarde desta quarta-feira (25), no Rio de Janeiro. O objetivo, mobilizar a sociedade para preservar o que o país conquistou nos últimos anos, em risco com um golpe já em curso, ancorado nos desdobramentos da Operação Lava Jato. Como sempre ressaltado por intelectuais e políticos que vêm a público para expressar preocupação com esse movimento, eles deixaram claro que não se busca descaracterizar a necessidade de punição a envolvidos com corrupção. 
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Ainda em 2013, veio a público no mundo inteiro a informação que a Petrobras estaria sendo investigada pelos Estados Unidos, de acordo com documentos da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) vazados pelo ex-analista da agência Edward Snowden, lembrou o físico Luiz Pinguelli Rosa, diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), presente no encontro. O alvo da investigação parecia claro: a tecnologia envolvendo a exploração em alta profundidade na camada pré-sal.
O cientista político, ex-ministro da Ciência e Tecnologia e ex-presidente do PSB, Roberto Amaral, um dos presentes na mesa da Aliança pelo Brasil, destacou que o país não corre o risco de sofrer um golpe, o golpe já está em curso. A única saída, sugeriu, seria a unidade do povo brasileiro.

No rastro da Operação Lava Jato, não demoraram a surgir indicações (e certezas) de que o melhor caminho poderia ser privatizar a empresa, e/ou alterar o regime de partilha do pré-sal, cujos frutos devem garantir, por exemplo, uma grande parcela para a Educação e a Saúde do país. A forma como a exploração do pré-sal foi arranjada, não teria agradado o capital financeiro mundial, alertam diferentes entidades e intelectuais. 
José Carlos Assis, jornalista, economista e professor, apontou os objetivos da Aliança pelo Brasil: defender a Petrobras e as políticas centrais para o petróleo, principalmente o pré-sal; garantir os recursos necessários para necessidades de caixa de curto prazo e para investimentos em curso da Petrobras; evitar perdas na paralisação de obras e investimentos; conseguir um comprometimento explícito do governo com o modelo de operadora única do regime de partilha do pré-sal e com a política de conteúdo nacional de equipamentos; comprometimento com a defesa da engenharia nacional, colocando como condição fundamental o pagamento das folhas salariais na cadeia do petróleo e do setor público; e comprometimento do governo com as políticas de repasse dos recursos do pré-sal para educação e saúde pública. 
Francis Bogossian, presidente do Clube de Engenharia, em conversa com o JB, alertou para as vozes que defendem a entrada de empresas estrangeiras para substituir a empresa nacional. "Para mim, quem diz isso deveria ser preso." Editorial publicado em jornal de grande circulação do país nesta terça-feira (25), por exemplo, já defendia abertamente que "se a Petrobras, em condições normais, já tinha dificuldades para tocar esse plano de pedigree 'Brasil Grande', agora é incapaz de mantê-lo. Não tem caixa nem crédito para isso. Não há como sustentar o modelo", no caso, o de partilha.
O manifesto lançado hoje pelo grupo no Clube de Engenharia destaca: "As investigações policiais em torno de ilícitos praticados contra a Petrobras por ex-funcionários corruptos e venais estão dando pretexto a ataques contra a própria empresa no sentido de transformá-la de vítima em culpada, assim como de fragilizá-la com o propósito evidente de torná-la uma presa fácil para a fragmentação e a desnacionalização."
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"Estão deixando a Petrobras murchar e, com isso, estão prejudicando não só os empregados da Petrobras, como também as empresas que prestam serviço para a Petrobras. Podem dizer, 'bom, essas empresas também estão envolvidas'. Eu repito, se a empresa cometeu aquele erro, a lei estabelece o que e quem tem que ser punido, se erros foram realmente cometidos e comprovados. Você não pode matar a empresa, porque aí você vai desempregar centenas e milhares de pessoas, não só engenheiros, mas economistas, advogados, técnicos de nível médio e a mão de obra desfavorecida, os que trabalham para comer. Então você vai tirar o pão da mesa dessas pessoas, dilacerando com essas empresas, e ouvir que é preciso chamar empresa estrangeira para substituir a empresa nacional", alerta Bogossian.
Para Bogossian, a imprensa, em geral, não está entendendo o tipo de luta que precisa ser travada neste momento, "muito pelo contrário". Ele destacou ainda o caráter apartidário do encontro. "Não não estamos aqui para elogiar político, seja do governo federal, estadual ou municipal, e nem tampouco para criticar", disse ao JB
"Qualquer abalo ao patrimônio técnico e social representado pelas tantas empresas do ramo, terá, sem dúvida efeitos contundentes, que interferirão no presente e no futuro do nosso povo. (...) Não aceitaremos oportunismo desfrutado por segmentos apoiados pelo cartel da grande mídia, no sentido de fazer ingressar no país empresas estrangeiras substitutivas das empresas nacionais", disse posteriormente, ao público presente no Clube de Engenharia. 
Reynaldo Barros, presidente do CREA-RJ, frisou que, se a cadeia da engenharia for desmontada, o país quebra. "A engenharia brasileira já começou a ser desmontada."
Roberto Saturnino Braga, diretor-presidente do Centro Celso Furtado, membro do Conselho Diretor do Clube de Engenharia, por sua vez, falou sobre a difícil tarefa de mobilizar a opinião pública em torno desta questão, "contra a totalidade da mídia, que no fundo é associada a interesses do grande capital". 
"A Petrobras é símbolo de coisas muito caras ao povo brasileiro, é símbolo da capacidade de engenharia brasileira, da engenharia brasileira, da capacidade técnica, da capacidade científica, da luta de afirmação nacional, luta que levou o Brasil a sucessivos passos de encaminhamento de sua soberania, e que está ameaçada, também, por duas medidas ousadas que teve a coragem de tomar", apontou Braga, sobre a lei do pré-sal, os Brics e a formação do Novo Banco de Desenvolvimento, como uma alternativa ao capital do FMI. 
"Claro que essa ousadia ia encontrar do outro lado o atentado, o chamamento ao golpe, porque é uma afronta ao grande capital", explica Braga.