quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Defensores do impeachment de Dilma poupam Cunha durante ato de entrega do novo pedido de impeachment contra Dilma Rousseff

Os deputados e líderes de movimentos de rua que participaram na Câmara dos Deputados do ato de entrega do novo pedido de impeachment contra Dilma Rousseff pregaram nesta quarta-feira (21) a urgência do fim da corrupção no mundo político, mas, nos discursos, não mencionaram em nenhum momento o nome de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Cabe ao presidente da Câmara, que abriu seu gabinete para receber o novo pedido, decidir se dá ou não sequência ao processo contra a petista. O peemedebista foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República sob a suspeita de envolvimento no petrolão e é suspeito de esconder no exterior contas irrigadas pelo esquema.
Na entrevista coletiva concedida logo após a entrega, os líderes dos dois principais partidos de oposição, Carlos Sampaio (PSDB-SP), e Mendonça Filho (DEM-PE), não apareceram, diferentemente do ocorrido em outras ocasiões. PSDB e DEM foram representados por vice-líderes.
Destoando do discurso público, em que optam pelo silêncio ou por um tímido pedido de afastamento, nos bastidores a oposição mantém o suporte político a Cunha com o objetivo de influenciá-lo na decisão sobre o impeachment.
Questionada pela reportagem sobre por que Cunha foi poupado, Maria Lúcia Bicudo, filha do ex-petista Hélio Bicudo, afirmou que o ato era focado em Dilma. “Eu acho que importante agora é esse movimento contra a corrupção, o impeachment, e também a questão do Eduardo Cunha, também concordo. (...) Hoje estamos fazendo para o impeachment, mas com certeza esse movimento vai estar englobando todos os corruptos.”
Dois líderes do Movimento Brasil Livre também falaram na entrevista contra Dilma, o PT e a corrupção que, segundo eles, impregna o partido e o governo.
Questionados após a entrevista sobre a omissão em relação a Cunha, Kim Kataguiri Fernando Holiday adotaram um discurso farsista , de que os movimentos de rua têm pouca condição de pressionar politicamente pela saída do peemedebista. “[Os movimentos] não têm poder nenhum na cassação, não têm ninguém no Conselho de Ética [da Câmara, que deve abrir processo contra Cunha]. O impeachment é muito mais dependente de votos de parlamentares, no Conselho de Ética é um debate muito mais técnico”, afirmou Kataguiri, apesar de o conselho ser formado por 21 deputados federais.